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  O aleitamento materno, na alimentação das crianças menores de dois anos de idade, é uma das ações de saúde preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como estratégia de combate à mortalidade infantil e redução da prevalência de desnutrição protéico-calórica. Assim, nos primeiros seis meses de vida se recomenda a utilização do leite materno como alimento único para a criança.

 

    Nutricionalmente, o leite materno é superior a outros leites, pois contém elementos essenciais às crianças, além de ser facilmente digerido. Apesar das evidências demonstrarem a superioridade do leite materno em relação a qualquer outro leite para a alimentação da criança nos primeiros meses de vida, o abandono à amamentação natural foi um fenômeno registrado mundialmente, no final do século XIX coincidindo a Revolução Industrial, e intensificando-se no século XX, após a Segunda Guerra Mundial.

 

    Com o advento da Revolução Industrial, houve uma grande evolução das cidades e, nesse processo de urbanização, os trabalhadores que desenvolviam atividades relacionadas à agricultura passaram a trabalhar nas indústrias, com a incorporação da mulher como mão-de-obra, o que contribuiu, entre outros fatores, para o declínio do aleitamento materno. Na década de 80 foi realizado um diagnóstico do aleitamento materno no Brasil, que revelou baixa prevalência da amamentação (50% de desmame em torno do segundo mês de vida), cujas causas apontadas foram :

 

. Desinformação dos profissionais de saúde, das mães e da comunidade ;

. Rotina e estrutura inadequada dos serviços de saúde ;

. Trabalho remunerado da mulher ;

. Publicidade indiscriminada de alimentos infantis industrializados.

 

     A partir deste diagnóstico, ficou clara a necessidade de maior preparo dos profissionais da saúde a fim de se capacitarem para o manejo adequado do aleitamento materno.

    Para avaliar as práticas do aleitamento materno tem sido proposto a formulação de indicadores, os quais devem ser poucos, relativamente fáceis de medir e interpretar e de utilidade operacional. Os indicadores devem permitir uma comparação entre países, dentre os quais foram relacionados os seguintes :

 

 

ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO

 

O lactente só recebe leite materno de sua mãe, nenhum outro líquido ou sólido com exceção de vitaminas e minerais medicamentosos.

  

 

ALEITAMENTO MATERNO PREDOMINANTE

 

    A fonte predominante de alimentação é o leite materno. Podendo receber também água e bebidas à base de água, como chás, sucos de frutas, soro, vitaminas e minerais medicamentosos. Com exceção dos sucos de frutas, esta definição não inclui nenhum líquido à base de alimento.

 

 

ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR

 

A criança recebe leite materno e alimentos sólidos ou semi-sólidos.

 

 

 

CRITÉRIOS PARA INCLUSÃO EM CATEGORIAS DE ALIMENTAÇÃO INFANTIL

 

Alimento

Necessário Receber

Permitido Receber

Proibido Receber

Aleitamento Natural Exclusivo

Leite Materno (inclui leite extraído de uma Nutriz)

Gotas (vitaminas, minerais, medicamentosos)

Qualquer outra coisa

Aleitamento Materno Predominante

Leite materno como fonte predominante de alimentação

Líquidos : água, sucos de frutas, soro, vitaminas e minerais, medicamentosos

Qualquer outra coisa (leite de vaca e líquidos baseados em alimentos, nem pensar)

Alimentação Complementar

Leite materno e alimentos sólidos

Qualquer alimento ou líquido incluindo leite de vaca

 

Mamadeira

Qualquer líquido ou alimento semi-sólido

Também permite leite materno na mamadeira

 

Organizacion Panamericana de la Salud I Organizacion Mundial de La Salud, 1991

 

 

O leite materno oferece condições ideais para promover o crescimento e desenvolvimento normais da criança. O melhor regime alimentar até os 6 meses de idade é aquele em que a criança recebe exclusivamente o aleitamento materno. Ele serve como referência ideal de nutrientes para os lactentes.

Nem mesmo os seus baixos teores de ferro e zinco são problemas. A prova é que crianças alimentadas exclusivamente com leite materno, não apresentam déficit desses minerais durante os primeiros 180 dias de vida. A provável razão é a alta biodisponibilidade desses elementos neste leite.

    Acredita-se que a fêmea de cada espécie mamífera produz leite com características próprias e adequadas às suas crias. Por exemplo : o leite de baleia, que vive em águas frias, apresenta alto conteúdo calórico. Os coelhos tem conteúdo protéico quase 10% maior que o leite humano, devido ao rápido crescimento da espécie.

 

 

COMPOSIÇÃO MÉDIA DE NUTRIENTES DE LEITE HUMANO E LEITE DE VACA (COMPONENTES / 100ml)

 

 

Leite Materno

Leite de Vaca

Calorias (Kcal)

60 - 70

65

Proteínas (g)

1,1 – 1,8

3,5

Caseína

0,4

2,9

Proteína lactosoro

0,6

0,6

Beta-lactoglobulina

0

0,37

Lactotransferrina

0,1 – 0,2

0,02 – 0,05

Imunoglobulinas

0,1 – 0,2

0,05

Lípides (g)

3,6 – 4,0

3,5

AGS (%)

45

74

AGI (%)

46

24

Ácido linoléico (%)

6

1

Colesterol (g)

0,03

0,01

Glícides (g)

5,8 – 7,0

5,0

Lactose

6,8

5,0

Oligossacarídios

1,0 – 2,0

0

Sódio

10 - 20

35 – 50

Potássio

40 - 50

130 – 150

Magnésio

4

12

Cálcio

33

125

Fósforo

15

96

Ca/P

2,2

1,3

Ferro

0,05 – 0,1

0,05

A (UI)

202

250

B1 (mg)

0,02

0,04

B2 (mg)

0,04

0,15

C (mg)

5

1 - 2

Fonte : Organização Mundial da Saúde




 

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